Já passei por vários momentos em minha vida. Lembro de etapas em que levantei com um belo sorriso no rosto, e algumas em que nem vontade de tentar de me reerguer eu tinha. Tentei valorizar momentos que não tinham importância alguma para a minha vida e nem mereciam ser lembrados, e os que realmente importavam, eu desmereci por algum motivo, talvez pelo momento em que estava. Chorei ao invés de sorrir, e soltei altas gargalhadas ao invés de derramar uma lágrima. Amei com muito pouca intensidade, e tive momentos de raiva muitos profundos, que na verdade não me levaram a lugar algum. Ajudei deficientes a atravessar a rua, levantei para um idoso sentar, dei uma bala para uma criança que chorava ao meu lado em uma lotação ou em um ônibus. Eu vivi, eu tentei, eu ajudei. Eu esperei o que ninguém, jamais esperava!
Tirei ótimas notas em provas que nem na apostila eu peguei, nas que eu me dedicava e passava horas e mais horas, madrugadas e mais madrugadas sonolentas estudando, não consegui atingir a meta. Briguei por não poder sair de casa, ao contrário de amigos que vinham me arrastar para dar um famosinho: rolê. Ouvi aquela música chata no último volume, onde a vontade de meus vizinhos era tacar uma pedra na janela de vidro do meu quarto. Nos jogos vibrantes do Brasil, dormi a tarde inteira, e só acordei três horas depois o término do jogo. Tristeza, desânimo, bobeiras a parte. Cansaço emocional, talvez!
Já liguei o ventilador em um dia de muito frio, e já me cobri até a cabeça com o edredom em uma noite abafada. Já tirei um piercing por medo de dar quelóide, e ao mesmo tempo já arranquei pequenos bifinhos das minhas unhas. Já conversei com pessoas fúteis por mera educação, e já ignorei pessoas que adoro ter a companhia por medo de descontar a TPM em alguém que não tem nada a ver. Burrice, futilidades ou apenas receio?
Certos momentos que não são entendidos, e talvez nem merecem tanta atenção voltada. Coisas que passam que não nos damos conta na hora, de quanto aquilo irá fazer falta dali alguns anos. Pessoas passam por nossas vidas, umas prevalecem ao teu lado todos os dias, mesmo que ao teclar contigo no MSN, outras vão embora. Tanto em sentido de se afastar, como de deixarem esse mundo que vivemos. Lugares são esquecidos os nomes e as datas que foram frequentados, mas aquele aroma e aquele olhar talvez seja lembrado por toda a eternidade. Planos para o futuro são inventados e sonhados, alguns concretizados conforme passa-se o tempo, outros são apagados para o melhor bem estar. Textos são escritos e orgulhados ao ler por pessoas ao seu redor, outros são apagados por falta de intesse momentâneo. Esse talvez fique guardado dentro do meu baú, aliás, o meu companheiro de todas as horas, minutos e segundos da minha vida. Esse texto guardarei nele, pois daqui uns cinco ou seis anos, sentirei saudades dessas épocas em que eu podia dar um sorriso, sem ser intimada por um olhar diferente. O meu baú me lembrará de tudo! Pois ele tem uma chave, um nome e um sentimento. A chave é o instante em que vivo, pois ele é aberto a cada situação que merece ser recordada. O nome é simples: Esperança, pois é nela que vou me apoiar quando eu estiver caída no chão, sem forças e sem motivos para me reerguer. E um sentimento único e a base para me carregar em tudo isso, a SAUDADE, pois é ela que me fará lembrar, que tudo o que vivi valeu a pena, e de que nenhuma escolha que foi tomada por alguém superior a mim, foi em vão.
Um comentário:
Me deu uma vontade tão grande chorar agora, amiga. Sério, tão emocionante, tão maduro. Por mais que a gente negue que não foi a melhor coisa que aconteceu, é preciso se conformar com isso; por mais doloroso que seja.
Eu estarei aqui, dando-te forças pro que precisar :)
Sabe onde me encontrar.
Um beijo, minha querida.
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